
Segundo definição da Wikipédia, Jornalismo Literário é "uma especialização do jornalismo feita com a arte da literatura". Trocando em miúdos, é um tipo de jornalismo mais trabalhado, que foge do dia-a-dia das notícias. Também há quem diga que seja "melodia". Para quem o faz, parece difícil. Mais ainda para quem se propõe a fazer tudo isso na internet.
Talita A., é uma das pessoas que se propõe à árdua tarefa. Levou à risca a definição de "melodia" já no título de seu blog, o Vinil Literário. A página, que começou como um TCC no ano passado, segue até hoje conquistando seu espaço na blogosfera.
O Vinil Literário é mais do que música e textos, como o nome pode sugerir. O blog, para quem ainda resistiu a visitar, é um mix de várias coisas que estão rolando por aí. Pode ser uma banda até então desconhecida por muitos, ou um ponto de vista sobre o que todo mundo está sabendo; projetos de visionários around the world, ou uma dica de leitura; intertextualidade com revistas como a Piauí (publicação utilizada como case pela autora), ou um bate-papo despojado com pessoas como o escritor Xico Sá. Tudo isso dividido em quatro seções: Coleção, Diga-logo, Entre colchetes e Diamante; esta última feito de colaborações de gente boa da web.
A linguagem utilizada por Talita no blog vem do New Journalism (Novo Jornalismo) norte-americano, iniciado na década de 60. Insatisfeitos com as regras de objetividade impostas nas redações, repórteres como Tom Wolfe, Gay Talese, Truman Capote e Lilian Ross romperam algumas dessas amarras em favor de um estilo de escrita que pudesse excitar o leitor, da mesma maneira como ele era excitado lendo uma ficção. Não por acaso, esses jornalistas se tornaram escritores, muitos deles ficcionistas.
Mas estamos no terceiro milênio, era digital, e a proposta da linguagem teria que se adequar ao mundo dos blogs. Para isso, ela se inspirou principalmente em dois sites: Blônicas e Scream & Yell.
O primeiro, do escritor e publicitário Nelson Botter Jr., quase que se resume no próprio nome: mistura de blog com crônicas. Na página, nomes como o músico Leo Jaime, a jornalista Milly Lacombe e o já citado escritor Xico Sá nos presenteiam com seus textos, no máximo um por dia, ideais para o meio eletrônico. O negócio deu tão certo que o blog virou livro, com textos dos cronistas, e até uma segunda edição, com escritores diferentes: "Blônicas 2 - A Vez dos Leitores", com 50 leitores-escritores de todo o País. Um deles, não por acaso, é Talita.
O segundo site, o S&Y, é editado pelo jornalista Marcelo Costa. Com um visual atraente, ele traz críticas culturais de uma maneira mais solta do que em jornais e revistas. Cinema, literatura, mas muita, muita música são os ingredientes que fazem deste um dos melhores sites nacionais do tipo, equiparando-se em qualidade com muita revista impressa.
É dessas fontes que Talita bebe, além de sua bagagem intelectual, para atualizar seu blog. Fazendo uma releitura da cultura do Vinil e do Novo Jornalismo do século passado, a jornalista foge do lugar-comum e ajuda a acrescentar algo de bom no mundo da web 2.0.
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