Nathália de Alcantara
Revolução na pop art. É assim que se chama a divisão entre o antes e o depois do movimento sob influência do artista plástico Andy Warhol. A origem da transformação da arte contemporânea, que se vê em muros, nas ruas, nos meios de comunicação e livros, teve início nos anos 60, quando o artista desafiou noções preconcebidas sobre a natureza da arte e utilizou técnicas de produção de massa para derrubar o muro entre a arte e a cultura popular da época. No século XXI, permanece a influência do artista americano. Acompanhada por um antenado na cultura pop, resolvi me arriscar, em pleno sábado, na Pinacoteca, em São Paulo, para conhecer a obra de Andy Warhol. Sem ter ideia do que encontraria pela frente, como um bom fruto da década de 90 eu resolvi consultar o Google para me preparar e fazer caras e bocas diante das obras.
“A VIDA NÃO É UMA SÉRIE DE IMAGENS QUE MUDAM À MEDIDA QUE ELAS SE REPETEM?”
Descobri informações como que no ano de 1963, depois de ter a tela Eight Elvises avaliada em U$$ 100 milhões, Warhol foi relatado como “o termômetro do mercado da arte”, em artigo de 2009 no The Economist. Para se ter uma ideia, o valor corresponde à referência que Pablo Picasso atingiu. Apesar de todo o estranhamento diante das cores fortes e brilhantes e das tintas acrílicas, surgiu a curiosidade.

Chegando lá, encontrei pessoas com óculos estranhos, penteados diferentes, roupas que deviam significar algo para elas e muitos, mas muitos All Star. Nas paredes, fotografias das sopas Campbell, da garrafa de Coca-Cola, dos rostos de figuras icônicas como Marilyn Monroe, Liz Taylor, Elvis Presley e Che Guevara, todos coloridinhos e de muitos vídeos esquisitos. Foi aí que eu me dei conta de que lá não tinha lugar onde o tempo passasse mais rápido. Eram somente o banheiro, um bebedouro, alguns lances de escada e frases na parede, como “Eu amo Los Angeles. Eu amo Hollywood. Eles são lindos. Todo mundo é feito de plástico, mas eu amo plástico. Eu quero ser de plástico”. E a exposição não era da Lady Gaga.“NO FUTURO, QUALQUER UM SERÁ FAMOSO POR QUINZE MINUTOS”
Ao que me parece, a transformação da arte contemporânea é complexa demais para se entender diante de obras deixadas por uma pessoa que, sem legendas nas fotos, pode ser retratada como um cientista maluco. Ainda mais quando você não viveu, não estudou e nem procurou saber sobre o assunto.
Eu me esforcei. Não me dei por vencida e resolvi dar mais uma chance para o artista, que já não tem mais como responder às minhas dúvidas ou justificar sua obra. Obviamente, o pensamento que tomou conta da minha cabeça foi antes de ver sacos plásticos prateados flutuando em direção ao teto, que era protegido por redes. Cercada de pessoas admiradas e hipnotizadas com a imagem, denominada Silver Clouds, não me veio nada à cabeça.
“MORRER É A COISA MAIS CONSTRANGEDORA QUE PODE ACONTECER COM VOCÊ, PORQUE ALGUÉM TEM QUE CUIDAR DE TODOS OS SEUS DETALHES”
Confesso que fiquei inquieta. Queria saber mais sobre o artista em questão. Não pelo que vi na exposição, mas por observar a reação de todos que se encontravam ao meu redor, sem exceção. Sendo assim, algumas explicações hoje fazem sentido. Mas eu jamais saberei se foi mesmo a intenção de Warhol.
Tamanha é a influência do artista que, na costa norte de Pittsburgh, existe o Warhol Museum, como meio de manter a interação criativa entre a arte e a vida de Andy Warhol. Lá, está acomodada permanentemente uma coleção composta por mais de 12 mil obras de arte, o que inclui pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas, filmes, fitas de vídeo e um arquivo extenso, registros de material de origem para as obras de arte e outros documentos da vida do artista.
Com conceitos da publicidade em suas obras, desde 1987 existe uma fundação em memória de Warhol, que apresenta o trabalho do artista para o público ao emprestar mais de 10 mil obras de seu acervo diversificado para mais de 200 exposições no mundo inteiro. Essas obras incluem pinturas, esculturas, desenhos, fotografias e gravuras a partir de 1950.
Acredito que encontrei a justificativa para os sacos plásticos prateados. Pode ser uma referência à viagem espacial realizada nos anos 60 e tenha despertado, ainda que por alguns segundos, a vontade de voar. Depois de ler e buscar a respeito de Andy, preciso reconhecer sua importância para a época - qualquer época -, independentemente da minha opinião. Ou, como colocaria Warhol, “dizem que o tempo muda as coisas, mas é você quem tem de mudá-las”.




