terça-feira, 15 de junho de 2010

Andy Warhol, a origem do hoje

Nathália de Alcantara

Revolução na pop art. É assim que se chama a divisão entre o antes e o depois do movimento sob influência do artista plástico Andy Warhol. A origem da transformação da arte contemporânea, que se vê em muros, nas ruas, nos meios de comunicação e livros, teve início nos anos 60, quando o artista desafiou noções preconcebidas sobre a natureza da arte e utilizou técnicas de produção de massa para derrubar o muro entre a arte e a cultura popular da época. No século XXI, permanece a influência do artista americano.

Acompanhada por um antenado na cultura pop, resolvi me arriscar, em pleno sábado, na Pinacoteca, em São Paulo, para conhecer a obra de Andy Warhol. Sem ter ideia do que encontraria pela frente, como um bom fruto da década de 90 eu resolvi consultar o Google para me preparar e fazer caras e bocas diante das obras.

“A VIDA NÃO É UMA SÉRIE DE IMAGENS QUE MUDAM À MEDIDA QUE ELAS SE REPETEM?”

Descobri informações como que no ano de 1963, depois de ter a tela Eight Elvises avaliada em U$$ 100 milhões, Warhol foi relatado como “o termômetro do mercado da arte”, em artigo de 2009 no The Economist. Para se ter uma ideia, o valor corresponde à referência que Pablo Picasso atingiu. Apesar de todo o estranhamento diante das cores fortes e brilhantes e das tintas acrílicas, surgiu a curiosidade.

Chegando lá, encontrei pessoas com óculos estranhos, penteados diferentes, roupas que deviam significar algo para elas e muitos, mas muitos All Star. Nas paredes, fotografias das sopas Campbell, da garrafa de Coca-Cola, dos rostos de figuras icônicas como Marilyn Monroe, Liz Taylor, Elvis Presley e Che Guevara, todos coloridinhos e de muitos vídeos esquisitos. Foi aí que eu me dei conta de que lá não tinha lugar onde o tempo passasse mais rápido. Eram somente o banheiro, um bebedouro, alguns lances de escada e frases na parede, como “Eu amo Los Angeles. Eu amo Hollywood. Eles são lindos. Todo mundo é feito de plástico, mas eu amo plástico. Eu quero ser de plástico”. E a exposição não era da Lady Gaga.

“NO FUTURO, QUALQUER UM SERÁ FAMOSO POR QUINZE MINUTOS”

Ao que me parece, a transformação da arte contemporânea é complexa demais para se entender diante de obras deixadas por uma pessoa que, sem legendas nas fotos, pode ser retratada como um cientista maluco. Ainda mais quando você não viveu, não estudou e nem procurou saber sobre o assunto.



Eu me esforcei. Não me dei por vencida e resolvi dar mais uma chance para o artista, que já não tem mais como responder às minhas dúvidas ou justificar sua obra. Obviamente, o pensamento que tomou conta da minha cabeça foi antes de ver sacos plásticos prateados flutuando em direção ao teto, que era protegido por redes. Cercada de pessoas admiradas e hipnotizadas com a imagem, denominada Silver Clouds, não me veio nada à cabeça.

“MORRER É A COISA MAIS CONSTRANGEDORA QUE PODE ACONTECER COM VOCÊ, PORQUE ALGUÉM TEM QUE CUIDAR DE TODOS OS SEUS DETALHES”

Confesso que fiquei inquieta. Queria saber mais sobre o artista em questão. Não pelo que vi na exposição, mas por observar a reação de todos que se encontravam ao meu redor, sem exceção. Sendo assim, algumas explicações hoje fazem sentido. Mas eu jamais saberei se foi mesmo a intenção de Warhol.


Tamanha é a influência do artista que, na costa norte de Pittsburgh, existe o Warhol Museum, como meio de manter a interação criativa entre a arte e a vida de Andy Warhol. Lá, está acomodada permanentemente uma coleção composta por mais de 12 mil obras de arte, o que inclui pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas, filmes, fitas de vídeo e um arquivo extenso, registros de material de origem para as obras de arte e outros documentos da vida do artista.

“A coleção não é apenas um recurso para investigação e estudo, mas uma base para a inspiração criativa, o que representa um elo entre o passado e o futuro, a cultura e o processo artístico”, disse Warhol. Anos mais tarde, a frase se tornaria epígrafe para o seu Instituto em Pittsburgh.

Com conceitos da publicidade em suas obras, desde 1987 existe uma fundação em memória de Warhol, que apresenta o trabalho do artista para o público ao emprestar mais de 10 mil obras de seu acervo diversificado para mais de 200 exposições no mundo inteiro. Essas obras incluem pinturas, esculturas, desenhos, fotografias e gravuras a partir de 1950.

Acredito que encontrei a justificativa para os sacos plásticos prateados. Pode ser uma referência à viagem espacial realizada nos anos 60 e tenha despertado, ainda que por alguns segundos, a vontade de voar. Depois de ler e buscar a respeito de Andy, preciso reconhecer sua importância para a época - qualquer época -, independentemente da minha opinião. Ou, como colocaria Warhol, “dizem que o tempo muda as coisas, mas é você quem tem de mudá-las”.

Sertanejo deixou o interior

O público do sertanejo Universitário aumentou muito nos últimos tempos. Antes, quando se falava em sertanejo , as pessoas já olhavam com cara feia . Mas isso mudou, pessoas que olhavam torto para o ritmo sertanejo hoje até freqüentam espaços que tem esse tipo de música. Um exemplo foi o Itanhaém Rodeo Festival http://www.itanhaemrodeofestival.com/ o maior rodeio em praia do Brasil.

Mas o que é esse novo sertanejo? É um estilo mais agradável de escutar, as batidas são mais agitadas, os arranjos com predominância de instrumentos acústicos, com teclado, bateria várias backing vocal e tem o resgate do acordeon. As letras das músicas relatam o cotidiano amoroso como um amor perdido, casos de traição, de um amor que está longe, superação desse amor, ou seja, temas bem atuais, pelos quais passamos algum dia.

Antes, o sertanejo era “de raiz” e se resumia a voz e violão, cantado por duplas que se apresentavam no interior. Hoje, com o sertanejo universitário, as coisas mudaram. Existe uma grande produção atrás de uma dupla sertaneja. Por isso, é muito mais fácil fazer sucesso. As músicas do sertanejo universitário são feitas para vender CDs e as chamadas músicas “de raiz” eram para apreciar a ‘moda de viola’. Veja a diferença entre a música de Milionário e José Rico e o sertanejo de Luan Santana. A batida do jovem é bem mais rápida e animada.

As duplas sertanejas do estilo universitário fazem bastante sucesso. São elas: João Bosco e Vinicius, Guilherme e Santiago, Jorge e Mateus, Maria Cecília e Rodolfo. O nome da música sertaneja que está em alta é Luan Santana, que foi a revelação de 2010. Ele ganha 50 mil reais por show.

Todos esses artistas resgatam músicas de raiz. A clássica Loira do cavalo branco, da dupla Milionário e José Rico, foi regravada por Luan.



Já a dupla Maria Cecília e Rodolfo cantam Nuvem de Lagrimas , de autoria de Paulo Debétio e Paulinho Rezende. As duplas sertanejas começam a fazer sucesso no interior e depois vão para as grandes capitais. Para comprovar isso, podemos citar as rádios de Santos que tem horários dedicados ao estilo sertanejo. O programa Rodeio 104, da Rádio Guarujá FM, vai ao ar de segunda a sexta, das 07 às 09 e das 17 às 19 horas. Na Radio Tribuna FM é transmitido o Sertanejo Universitário, das 07 às 08 e depois a tarde da 17 às 18 horas. Nesse mesmo horário, a Cultura FM também dedica espaço ao sertanejo.

Essa tendência de “reciclar” a música sertaneja busca maior proximidade com o público mais jovem, fazendo com que o estilo não saia de moda. A nova sonoridade se assemelha ao country contemporâneo feito nos EUA, sobretudo pelo som eletrificado. O visual de caubói moderno, frequentador da vida social urbana e dotado de maior poder aquisitivo também representam a evolução do estilo. No Brasil, as músicas de raiz deram lugar ao novo sertanejo representado pelas duplas Chitãozinho e Xororó, Zezé Di Camargo e Luciano, um estilo mais comercial que emplacou nas décadas de 80 e 90 .

Com o sertanejo universitario não é diferente. As músicas são lindas, como por exemplo Sem esse coração, de João Bosco e Vinicius, E daí de Guilherme e Santiago, e Madrid, de Fernando e Sorocaba. Considero que cada estilo teve sua época. As músicas de raiz eram ouvidas somente no interior. Hoje o estilo universitario é mais urbano, mais abrangente. A música é feita para todos os públicos, mas quem realmente gosta são os mais jovens.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Para os que sabem e não sabem ler


Está pensando em comprar um bom livro, que de preferência esteja em lançamento, mas ainda não sabe qual? Pois então se prepare, lá vai uma ótima pedida: “A menina que não sabia ler”. Sei que, a primeiro momento, o título não é nada animador e há muita ironia em ler algo de alguém que não sabia ler.


Mas, essa impressão ruim, é eliminada no primeiro capítulo da obra escrita por John Harding. Razoavelmente grosso, e nem poderia ser diferente com mais de 280 páginas, a menina que não sabia ler é uma história emocionante de uma órfã com seu irmãozinho, no fim do nada. De certa forma, é possível dizer que o livro é muito motivador, afinal relata a bravura de uma menina de 12 anos que venceu os preconceitos de sua época e em meio a restrições, encontra uma biblioteca e aprende a ler SOZINHA, os melhores livros do mundo. Os melhores mesmo, pois até Shakespeare é citado na lista de leituras da pequena Florence. Para aqueles que acreditam que a leitura é algo dispensável e monótono “a menina que não sabia ler” vem para desmistificar preconceitos e promover a constatação de que ler é mais do que um dom, é uma habilidade que pode e deve ser desenvolvida constantemente.

A linguagem é bem simples e objetiva. Algo de grande valia, já que o desenrolar da trama se dá forma emocionante. Não vou mentir que pensei em desistir na metade do livro, afinal o autor parecia que tinha ido dar a volta no mundo e se perdeu no espaço.

Mas, o final da obra guarda um desfecho surpreendente, em outras palavras, inimaginável.

Sou totalmente contra a propaganda enganosa, mas algo que garante a qualidade do livro é o fato de que o li em apenas três dias. Isso mesmo, 288 páginas em três dias. Simplesmente acordava lendo, dormia com o livro no colo, preferia ler a comer e nas poucas horas vagas, não escondia a ansiedade de saber como terminaria a obra. Pode acreditar, não consigo ler nem vinte minutos um livro entediante.

Para os fãs de suspense, aventura e ficção aí está uma excelente opção para as férias de julho. Não tem como comparar com outras obras, aliás, cada livro é único e especial. Corresponde a um momento ou fase que passamos e que não pode ser medido, muito menos comparado. Sou muito fã de Agatha Christie, e adoro ler e reler o Diário de Anne Frank. Também já tive a minha fase de Harry Potter e o Diário da Princesa, mas a menina que não sabia ler acabou superando as minhas expectativas e surpreendendo meu egocentrismo que apontava um livro com capa sem graça e conteúdo duvidoso, em questão de qualidade, é lógico.

Outro ponto que posso destacar sendo muito enfatizado na obra, além da importância da leitura, é o valor agregado à família. Esse foi um dos pontos chaves da história. O impacto de uma amizade, as consequências da super proteção fraterna e as dores do abandono familiar. Claro que tudo isso fica subtendido, mas para os mais observadores é algo bem perceptível.

Os ensinamentos tirados no término da leitura? É difícil enumerar, nem poderia, já que é algo tão subjetivo, pessoal, mas de certo vale a pena arriscar a mesada dos pais e o tempo vago de lazer nessa história que aviva a mente e prende a concentração.

Postado por Ingrid Rolemberg

terça-feira, 1 de junho de 2010

A anticontracultura Straight Edge

Fani Moraes



O Straight Edge, conhecido também como sXe ou SxE, é um modo de vida associado à música punk/hardcore. Essa subcultura defende a total abstinência de cigarro, álcool, drogas ilícitas e sexo promíscuo. Muitos sXe também viram vegetarianos, ou vegans.

Straight Edge pode ser definido como uma anticontracultura, um modo de vida, ou como uma forma de resistência, contra substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas. Viver desse modo também tem o seu lado desconfortável. É difícil não fazer o que a maioria da população faz. Por exemplo, quando um vegan straight edge vai a um churrasco ele não bebe, não fuma e não come carne. Ou seja, ele só consome o que pode comer e bebe água ou refrigerante.

Os Straight Edges discriminam quem não faz parte da sua cultura? Ou é ao contrário? A maioria das pessoas que são diferentes perante a sociedade é vítima de preconceito, ou é vista como estranha.

Os vegetarianos/vegans straight edges também têm problemas. Se estiverem de madrugada na rua e quiserem comer um lanche, vão encontrar dificuldades em achar algo que possam comer. A maioria dos salgados tem frango, presunto e outras coisas que essa tribo não come. O jeito é andar com comida, ou lanchinhos dentro da bolsa.

Existem muitas razões para uma pessoa escolher ser Straight Edge. Alguns usam esses princípios como um fundamento, pois creem que desta forma estarão mais envolvidos com a própria saúde física e mental. Existem também os que se identificam com o movimento por partilharem da opinião de que o uso de substâncias alteradoras do humor contribui para a anestesia política e a contenção da contestação.

O vocalista Ian MacKaye, da banda hardcore Minor Threat, de Washington, criou por volta de 1980 o termo Straight Edge, que além de ser o nome de uma música do grupo acabou virando o nome de um estilo musical.

Veja, a seguir, o vídeo da música Out of Step, do Minor Threat.



O movimento sXe chegou ao Brasil aos poucos. Durante os anos 80, a postura era rara, mas presente entre vários indivíduos dentro da cultura punk. O primeiro registro do Straight Edge no País é a foto na contracapa da coletânea Grito Suburbano, primeiro disco punk lançado aqui, em 1982. Nela, aparece o vocalista do Olho Seco, Fábio Sampaio, com um X pintado na mão.

Os primeiros exemplos de Straight Edge só apareceram em 1993, com as bandas Positive Minds e Personal Choice, que foi encabeçada pelo controverso Fabio 'Nene' Altro, atual vocalista do Dance of Days. Poucos anos depois, o Positive Minds se transformou no Self Conviction, outra banda fundamental no início da cena brasileira. Todas essas bandas compartilharam membros e alguns deles formariam, em 1996, o Point of No Return, que durante sua existência foi a mais conhecida e atuante banda Straight Edge do Brasil.

As bandas foram surgindo e os membros e amigos, muitos ligados ao coletivo anarquista Juventude Libertária, passaram a organizar shows independentes, evitando bares e casas noturnas, e inserindo algumas vezes atividades paralelas culturais e políticas. Esses shows foram o começo da Verdurada, que é o principal evento da cena sXe nacional desde 1996. Ocorrida inicialmente nos fundos de uma residência do bairro paulistano do Jabaquara, ela se mudou para diversos galpões pela Cidade de São Paulo.

A Verdurada é um evento que mistura shows, na maioria das vezes de hardcore/punk, com outras atividades, como palestras, exposições e vídeos sobre temas políticos, culturais, ecológicos ou que sejam considerados relevantes. Alguns dos princípios básicos da organização são o de não-consumo e venda de álcool e cigarros dentro do local do evento; o "Faça Você Mesmo", ou seja, a independência (nada de empresas ou patrocinadores por trás) e a auto-organização.

Assista, agora, ao vídeo sobre straight edges do programa Metrópoles da TV Cultura em 1999.


Foto da Verdurada - crédito: Reprodução/Blog Alienação Afrofuturista